Conscientização do Autismo: 6 coisas que você precisa saber sobre o TEA


Postado por Autismo em Dia em 31/out/2019 - 11 Comentários

Olá! Seja bem-vindo ao nosso primeiro artigo no blog do Autismo em Dia =) Para dar as boas-vindas aos nossos leitores e celebrar a renovação do nosso site, escolhemos um tema que inspira todas as nossas iniciativas por aqui: a conscientização do autismo.

Acreditamos que este é um dos assuntos mais importantes sobre esse universo. Isso porque, infelizmente, nossa sociedade ainda não conhece muito bem o espectro. A falta de informação cria muitos desafios para os autistas e seus familiares, além disso, esse desconhecimento tende a atrasar o diagnóstico.

conscientização do autismo é o primeiro passo para construirmos uma sociedade mais compreensiva e acolhedora para os autistas e seus cuidadores. Para contribuir com essa missão, vamos listar 6 coisas que você precisa saber sobre o TEA.

Índice

1 – Autismo não é doença

Autismo é uma condição que altera o desenvolvimento padrão da linguagem, interação social, processos de comunicação e do comportamento social. O autismo não é uma doença se considerarmos a definição de doença como uma enfermidade.

Isso porque a palavra doença geralmente traz consigo um significado muito negativo, como fragilidade física e risco de morte, por exemplo. Felizmente estes são aspectos que não estão diretamente associados à condição. Ao discutirmos a conscientização do autismo, é sempre muito importante ter em mente que o autismo é um transtorno do desenvolvimento, muito embora as desordens do espectro estejam listadas na classificação de doenças e problemas relacionados à saúde, atualmente CID 10, e a partir de 2020 CID-11.¹

DSM 5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) classifica o autismo e as outras condições do TEA como um transtorno mental. Por isso ao lidar com um autista ou seu cuidador, lembre-se de não tratá-lo como alguém doente. Do ponto de vista clínico, a condição pode ser trabalhada, reabilitada, modificada e tratada, com o propósito de adequar o indivíduo para o convívio social e até mesmo para as atividades acadêmicas. ²

Fonte: Envato – Foto de Seventy Four Images

2 – Nem sempre o autismo “tem cara”

conscientização do autismo começa quando entendemos a diversidade do espectro. Por isso, é importante esclarecer que cada autista é um, alguns podem ter uma vida aparentemente normal, o que não significa que ele não seja autista

Outros, autistas, por outro lado, geralmente os autistas severos, podem ser reconhecidos de longe, tanto pela postura corporal, como pela expressão facial, estereotipias ou comportamentos de alguém que têm algum comprometimento intelectual.

É sempre importante lembrar que o TEA ou Transtorno do Espectro Autista define uma série de alterações no desenvolvimento neurológico e no padrão comportamental, impactando a interação social e as habilidades de comunicação, que também podem gerar padrões repetitivos interesses restritos pronunciados.

A noção de espectro nasceu justamente para definir a grande variabilidade de sintomasalterações e características das pessoas com algum grau de autismo. Como o comprometimento nas habilidades de interação social e comunicação se manifestam em maior ou menor grau de gravidade, utiliza-se o termo espectro. ³

Para entender mais sobre os graus de comprometimento do autismo, clique aqui.

Fonte: Envato – Foto de Ivan Morenosl

3 – Pesquisas apontam que 1 a cada 100 pessoas possuem algum grau de TEA

Outra coisa muito importante a respeito do TEA é a incidência. Embora ainda tenhamos um longo caminho a percorrer dentro da conscientização do autismo, isso não significa que ele seja raro.

Muito pelo contrário, estima-se que no Brasil existam cerca de 2 milhões de pessoas dentro do espectro. As estatísticas também demonstram que destes 2 milhões, cerca de 400 a 600 mil deles tenham menos de 20 anos e que aproximadamente 120 a 200 mil sejam menores de cinco anos.2,3

Dentro da perspectiva mundial, a ONU (Organização das Nações Unidas) estima que tenhamos 70 milhões de autistas. Entre as crianças, o autismo é mais comum do que a soma dos casos infantis de câncer, diabetes e Aids. 4

Os números podem ser ainda maiores, por isso é importante lembrar que o autismo faz parte da nossa sociedade, e é nosso papel acolher essas pessoas e seus cuidadores com atenção, respeito, cuidado e empatia.

Fonte: Envato – Foto de Crshelare

4 – Os sinais do TEA começam na primeira infância

A maioria dos pais de crianças com autismo suspeita que algo está errado perto de 1 ano e 6 meses e busca ajuda antes que ela complete 2 anos. Conhecer os sinais de alerta é muito importante para reconhecer e buscar orientação médica de forma precoce. Confira:5,6

  • Bebês que não buscam o olhar da mãe ao serem amamentados;
  • Crianças que não demonstram diferença entre o colo dos pais e o de desconhecidos;
  • A criança parece surda, não reconhece seu nome ou não atende ao ser chamada;
  • Interações sociais ausentes, não responde a brincadeiras de adultos ou outras crianças;
  • Não aponta para o quer, não manda beijinhos ou tchauzinho;
  • Conduz as mãos do adulto para pegar o que deseja;
  • Dificuldade de entender brincadeiras de faz de conta;
  • Comportamentos motores repetitivos (agitar de mãos, tronco ou cabeça);
  • Atraso para aprender a engatinhar e andar;
  • Caminham nas pontas dos pés e de forma “desengonçada”;
  • Atraso, ausência da fala ou ecolalia (criança somente repete palavras fora de contexto);
  • Incômodo exagerado a determinados estímulos: luz, sons, texturas;
  • Resistência a dor acima do normal, a criança não chora quando cai, por exemplo;
  • Usa brinquedos de forma incomum, por exemplo, ao invés de brincar de carrinho, se concentra na roda do brinquedo;
  • Apego exagerado a objetos;
  • Incômodo excessivo ao sair da rotina.

Outra característica importante sobre a incidência é o gênero. O autismo é mais comum em pessoas do sexo masculino, ele está presente quatro a cinco vezes mais em meninos do que em meninas. Por outro lado, renda familiar, educação e estilo de vida parecem não influenciar no risco de desenvolver autismo.

Fonte: Envato – Foto de Twenty20photos

5 – Conscientização do autismo: Nem todo autista é gênio

Muitas vezes ao receber ou compartilhar o diagnóstico de autismo dos filhos, os pais são perguntados sobre quais são as habilidades especiais e traços de genialidade da criança. Embora de fato alguns autistas tornem-se muito eficientes em determinadas área de atuação, eles são a minoria dentro do espectro.

Os autistas apresentam diferentes níveis de severidade e prejuízos, sendo classificados em três graus: leve, moderado e severo. Importante ressaltar que grande parte dos autistas severos têm algum nível de deficiência intelectual, o que ao contrário do que muitos pensam, pode afetar a autonomia nas atividades mais triviais do dia a dia, como vestir-se, alimentar-se ou tomar banho sozinho.

Já os indivíduos com autismo leve, apresentam faixa normal de inteligência, embora alguns ainda precisem ser assistidos em determinadas tarefas eles conseguem ter uma vida muito próxima do “normal”.

Apenas cerca de 10 % dos indivíduos com autismo leve têm habilidades intelectuais extraordinárias para a sua idade. Por isso, ao saber de um diagnóstico, procure ser discreto em relação a questionamentos desse tipo, pois este costuma ser um momento bastante delicado para as famílias e cuidadores. ²

Fonte: Envato – Foto de Tataks

6 – Conscientização do autismo: Os direitos da pessoa com TEA

A conscientização do autismo é também uma maneira de contribuir para a garantia os direitos da pessoa com TEA. Além disso, todas as inciativas nesta direção devem sensibilizar a sociedade quanto ao espaço dos autistas nas escolas, nos grupos sociais, e para aqueles de grau leve, para a inclusão nas universidades e no mercado de trabalho. 

Perante a lei, as pessoas com autismo têm os mesmos direitos de qualquer outro cidadão. Tanto aqueles previstos na Constituição Federal de 1988 quanto nas demais leis do País. Mais do que isso, as pessoas dentro do espectro do autismo têm todos os direitos previstos em leis específicas para pessoas com deficiência, a saber, as leis de números: 7.853/89, 8.742/93, 8.899/94, 10.048/2000 e 10.098/2000.

Isso porque em dezembro de 2012, foi sancionada a Lei no 12.764/2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, que reconhece que as pessoas com autismo são pessoas com deficiência para todos os efeitos legais.

As normas internacionais assinadas pelo Brasil, como por exemplo a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiênciatambém são garantidas aos autistas, independentemente do nível em que estejam classificadas ou do grau de comprometimento que a condição lhes imponha. ²

Direito ao tratamento pelo SUS

A Lei 12.764/2012 estabelece a Política Nacional de Proteção dos Direitos das Pessoas com Autismo, ela afirma que todas as pessoas que convivem com o TEA têm direito a tratamentos, através do SUS, que sejam necessários para o seu desenvolvimento geral.

Direitos da criança e dos idosos com autismo

Enquanto são crianças e adolescentes, os autistas também possuem todos os direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no 8.069/90), como direito à escola e a educação regular, por exemplo. A Lei 13.146/2015 assegura que alunos com autismo, ou outro transtorno que exija tratamento especial, tenham acesso à escola. A instituição também deve promover adaptações que favoreçam o desenvolvimento da criança ao espaço em questão. Outro detalhe é o fornecimento de material gratuito, caso seja necessário.8

Já quando idosos, ou seja, após os 60 anos, os autistas adquirem todos os direitos estabelecidos pelo Estatuto do Idoso (Lei no 10.741/2003). ²

Fonte: Envato – Foto de Anna Stills

Conscientização do Autismo: Direitos dos autistas de baixa renda

Famílias carentes também podem ser beneficiadas por meio do BPC – Benefício de Prestação Continuada, que também é conhecido como LOAS, este é um benefício pago pelo INSS no valor de um salário mínimo. O benefício está previsto para custear as necessidades básicas, como alimentação, moradia e remédios.

Entretanto, para ter direito ao BPC /LOAS não basta ser idoso ou deficiente, também é necessário cumprir os seguintes requisitos:

  • Não conseguir prover o próprio sustento;
  • Pertencer ao grupo familiar de baixa renda que não possui condições de sustentá-lo.

É considerado membro do grupo familiar a pessoa que está pedindo o benefício, o cônjuge ou companheiro (a), os pais, madrasta ou padrasto (em caso de ausência dos pais), irmãos solteiros, filhos e enteados solteiros e menores tutelados, desde que vivam na mesma casa.

Famílias de baixa renda, são aquelas em que a receita das pessoas que moram na mesma casa é inferior a ¼ do salário mínimo. Porém, algumas decisões judiciais consideram metade do salário mínimo por pessoa. É importante que haja uma avaliação da situação social e econômica, levando em conta as condições de moradia e os demais gastos da família com seu sustento e o tratamento.9

Outros direitos garantidos pela legislação nacional são o tratamento multidisciplinar sem limites de sessões pelos planos de saúde e o custeio de medicamentos de alto custo. A legislação dos estados e municípios falam sobre o acesso ao transporte público gratuito, descontos nas contas de luz, mediante comprovação de baixa renda, e redução na carga horária para funcionários públicos. 10

Conscientização do autismo como ferramenta de empoderamento

Se você tem o diagnóstico de TEA, é um familiar ou cuidador de alguém dentro do espectro, empodere-se dessas informações para inspirar as pessoas que ainda não conhecem o muito bem o espectro. Use-as também para fazer valer os seus direitos.

Se por outro lado você conhece autistas ou seus familiares, preste atenção as dicas que demos por aqui e compartilhe estas informações! Elas podem ser valiosas para fortalecer a jornada de conscientização do autismo. Juntos podemos fazer a diferença e contribuir para uma sociedade mais consciente e mais acolhedora para as pessoas autistas.

Fique atento aos nossos próximos posts! Até a próxima.

Referências bibliográficas e data de acesso

1 – Tismoo  – 18/09/2019

2 – Entendendo o Autismo –  18/09/2019

3 – Diagnósticos do Brasil – 18/10/2019

4 – USP – 18/10/2019

5 – Autismo Brasil – 18/10/2019

6 – Minha Vida – 19/10/2019

7 – Saúde Abril – 19/10/2019

8 – Neuro Saber – 23/10/2019

9 – Jornal Contábil – 24/10/2019

10 – Estadão  – 24/10/2019

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11 respostas para “Conscientização do Autismo: 6 coisas que você precisa saber sobre o TEA”

  1. Maria Edna Barbosa disse:

    Uma mãe de autista que é aposentada por questão de saúde o filho autista também pode receber o auxílio do LOAS? OU SEJA: EXISTE A POSSIBILIDADE DE DOIS AUXÍLIOS UM P MAE POR PROBLEMAS NA COLUNA CERVICAL E O AUXÍLIO DO FILHO AUTISTA

  2. Daiane disse:

    Olá boa tarde!
    Estou preocupada referente ao meu filho de 2 anos e 7 meses ele tem a fala bem restrita só fala mamãe, papai, não, esse dá oi da tchau somente isso mas nota-se que ele tem entendimento no que eu falo pede as coisas indo até o que quer.
    Quando contrariado chora muito e se comunica com muitos gritos não tem paciência por qualquer coisa tá chorando não gosta de colocar roupa e nem de trocar as fraldas faz um berreiro para tomar banho nossa e horrível não come comida só no peito e algumas frutas ,bolachas e suco não aceita secar os cabelos com secador
    Adora desenho
    Começou a doer as unhas e morder os dedos
    Quando falava papai ficava falando como estivesse cantando por várias vezes
    Gostaria de saber o que achas ?
    Vou levá-lo de qualquer forma ao pediatra, pois tem momentos difícil que não estou conseguindo lidar
    Desde muito obrigada pela atenção

  3. Daiane disse:

    Obs: importante que não relatei ele da abraço muito raramente e beijo
    Bate no irmão dele de 10 anos a todo momento mesmo eu dizendo e mostrando para fazer carinho

  4. CELIA RIBEIRO FANCIO disse:

    Sou professora na Educação Infantil e tenho um aluno diagnosticado autista, esta semana que o recebi presencial, antes era as aulas eram atrás do Google form e a comunicação através watts apps com as famílias. Tenho pouco conhecimentos sobre autismo. Gostaria de receber informações de como trabalhar com crianças autistas na escola.

  5. José Wilson disse:

    Olá boa tarde meu único filho de 8 anos é autista. Este ano matriculamos ele em uma escola perto de casa pois desde o primeiro de aula a professora e a diretora da escola estão exigindo a presença da mãe dele todos os dias q ele vai para a escola.
    Gostaria de saber se isso está correto pois desde a matrícula nós falamos para elas (diretora e professora) da condição do aluno que ele era autista e elas falaram que poderíamos matriculalo sem problemas.
    Mais desde o primeiro dia de escola elas conversaram com a mãe dele e falaram q que ele só poderia frequentar a escola com a companhia da mãe. Na escola anterior ele estudou 3 anos consecutivos e não teve esse problema infelizmente tivemos que mudar para essa escola pelo fato de ser perto de nossa casa.
    Eu e a mãe dele demos para elas a opção de a escola contratar mais uma professora ou cuidadora pois ele não a único aluno especial em sala de aula. Mais a diretoria da escola disse q a escola não tem condições de contratar esse funcionário. (Detalhe a escola não é publica é particular). e ele é autista moderado.

    • Autismo em Dia disse:

      Olá José, como vai?

      Veja, é dever da escola disponibilizar um professor acompanhante para dar suporte às necessidades da criança autista. Gostaríamos de pode ajudar mais, no entanto, apenas um advogado especialista na área poderá te orientar adequadamente. Por isso, indicamos que busque apoio jurídico para ter seus direitos garantidos.

      Um abraço corajoso.

  6. Freda Corteze disse:

    Olá! Sou professora em uma escola pública, tenho alguns alunos autistas, infelizmente ainda há muita desinformação sobre esta condição e gostaria de conhecer mais sobre o assunto. Há algum livro indicado para profissionais da educação em referencia a isso, ou algum profissional que dê cursos de formação (pode ser online) e que possa ser recomendado? Enfrentamos situações bastante desafiadoras, inclusive falta de profissionais para atender a todas as crianças. Já aproveito para perguntar quando é recomendado o uso de abafadores auriculares para crianças autistas? Tenho um aluno em particular que não demonstrava incomodo em participar de minhas aulas de dança, nas quais costumo usar músicas, mas recentemente ele tem tampado os ouvidos e demonstrado incomodo inclusive com o barulho das eventuais conversas de seus colegas, quando a turma está mais descontraída. Fico na dúvida se seria o caso de recomendar à família e à orientação da escola o uso destes abafadores, para que o aluno se sinta incluído nas atividades. Agradeço a atenção!

    • Autismo em Dia disse:

      Olá, Freda. Acreditamos ser sim possíveil recomendar aos responsáveis que forneçam protetores auriculares caso o aluno deseje utilizar. Isso pode ser muito positivo para que ele fique mais confortável no dia a dia.

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